segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um quinto dos jovens nem estuda, nem trabalha, nem busca emprego

Um quinto dos jovens nem estuda, nem trabalha, nem busca emprego Jornal O GLOBO 15/09/12 São 5,3 milhões os brasileiros entre 18 e 25 anos que estão fora da educação formal e do mercado de trabalho, quase a população da Dinamarca RIO e SÃO PAULO — Para Letícia Protásio, “os dias passam devagar”. “Sobra tempo para ver as coisas do bebê”. Sobra tempo porque a jovem de 20 anos não está estudando, tampouco trabalha, e muito menos procura emprego (“Quem vai empregar uma grávida?”). Ela é um dos 5,3 milhões de jovens, entre 18 e 25 anos, que estão fora da educação formal e do mercado de trabalho — quase a população da Dinamarca. Um problema que atinge um em cada cinco jovens (ou 19,5% dos 27,3 milhões de pessoas dessa faixa etária), aponta o estudo exclusivo “Juventude, desigualdades e o futuro do Rio de Janeiro”, coordenado pelo professor Adalberto Cardoso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele teve por base microdados do Censo Demográfico de 2010, do IBGE. As razões que levaram Letícia a interromper os estudos e largar o emprego passam pela maternidade — um dos principais motivos para as mulheres abandonarem os estudos e adiarem a entrada no mercado de trabalho. Pelos dados do especialista do Iesp, o número de moças que fica em casa é quase o dobro do dos rapazes: respectivamente, 3,5 milhões e 1,8 milhão. Mas a maternidade não é a única explicação. O forte desalento, segundo Cardoso, ajuda a entender os números alarmantes. Que ficam mais graves quando se leva em conta que, em 2010, ano do Censo, a economia brasileira cresceu 7,5%. — Esses jovens que ficam fora têm qualificação muito ruim. Tão ruim que, ao abandonarem a escola, o mercado de trabalho, mesmo em plena atividade, não os absorve. Resultado: eles desistem, e são os pobres os mais afetados — disse Cardoso, acrescentando que esse fenômeno é muito urbano. — Entram nesses números os jovens que foram puxados para a criminalidade. Na parcela mais pobre da população brasileira, com renda per capita de até R$ 77,75, quase metade (ou 46,2%) dos jovens estava fora da escola e do mercado de trabalho. — A escola não consegue atrair o jovem, levando a uma elevada evasão escolar. Em consequência, ingressar no mercado de trabalho vai ficando mais e mais difícil — explicou Cardoso. Professor vê desalento estrutural O gargalo, segundo o professor Fernando de Holanda Filho, da Fundação Getulio Vargas (FGV), está na baixa taxa de matrícula do ensino médio. Hoje, segundo ele, ao menos 50% dos jovens trabalham sem ter nível médio: — Quando vão para o mercado de trabalho, não conseguem se colocar. Esse cenário cria um desalento estrutural, que se complica a cada ano. É um problema de longo prazo. O paulistano Eduardo Victorelli, de 22 anos, não terminou o ensino médio e não buscou cursos técnicos ou profissionalizantes depois que largou a escola, aos 17 anos. Embora pareça ter um futuro incerto, ele afirma com segurança que será jogador de futebol: — Meus pais e minha família me apoiam e conseguem pagar as contas. Acreditamos que o salário de jogador mudará nossa vida. Ele largou a escola para ir ao Paraná, tentar jogar no Coritiba. Mas o salário não bastaria para comer, morar e viver em outro estado, e voltou para São Paulo. Desde então, jogou em dois pequenos times. Ele mora em Sapopemba, bairro simples da Zona Leste, com os pais, avós e tios. O afastamento dos estudos e do trabalho vai comprometer — e muito — o futuro desses jovens, diz Cardoso: — Parte dessas pessoas vai se colocar como assalariado sem carteira assinada. Esse jovem de hoje vai carregar o peso desse abandono pelo resto da vida — disse Cardoso. Letícia vive com o namorado, que ganha R$ 1.500 por mês como divulgador. Em Jacarepaguá, eles têm o apoio da avó e da mãe dele. — Sei que agora vou ter que ficar em casa, cuidando do meu filho. Talvez por um, dois anos. Para Hildete Pereira, coordenadora do Núcleo Transdisciplinar de Estudos de Gênero da UFF, faltam políticas públicas de controle da natalidade e apoio para cuidar de crianças. A cobertura de creches passou de 7% das crianças de 0 a 3 anos em 2000 para 21% em 2011: — Melhorou, mas ainda há déficit. Enquanto isso, país amarga escassez de mão de obra O contingente de 5,3 milhões de jovens inativos no Brasil ocorre num momento em que o país tem baixas taxas de desemprego e os empresários se queixam de escassez de mão de obra. — É um desperdício de recurso, especialmente no momento econômico do país — disse Naércio Menezes, professor de economia do Insper, acrescentando que, quando o jovem deixa de enxergar os benefícios da educação, ele deixa de ter um futuro melhor. Essa geração perdida vai fazer falta para um crescimento sustentado, advertiu Paulo Levy, economista do Ipea. Ele explica que as empresas terão que aumentar a produtividade dos que estão trabalhando. Mas o crescimento econômico do país também permite que uma ínfima parcela desse contingente tenha respaldo em casa para pensar na carreira. Além disso, na chamada “geração canguru” os jovens deixam a casa dos pais mais tarde. Nesse universo, estão pessoas que se preparam para concursos públicos ou tiram um sabático para viajar. O Iesp-Uerj só considerou quem não frequenta a educação formal. Natália de Miranda, de 24 anos, estuda em casa para o concurso para magistratura do trabalho: — Estudo de seis a oito horas por dia e, muitas vezes, ainda ouço que não estou fazendo nada. Mas o cenário pode ser ainda pior. Ao incluir os jovens que buscam trabalho mas não conseguem, os 5,3 milhões saltam para 7,2 milhões. Ou seja, a cada quatro jovens entre 18 e 25 anos, um está parado. http://oglobo.globo.com/economia/um-quinto-dos-jovens-nem-estuda-nem-trabalha-nem-busca-emprego-6109028#ixzz26esIk2Ox .

terça-feira, 31 de julho de 2012

O mundo depois da Primeira Guerra Mundial - Gripe Espanhola -

Depois da Primeira Guerra, a Europa já não era a mesma. Havia perdido a influência no mundo. Mergulhava rapidamente em uma crise que duraria até as vésperas de outra guerra: A Segunda Guerra Mundial. A Alemanha teve quase 2 milhões de mortes; A França e a Inglaterra, juntas mais de 2 milhões. A Rússia, incluindo a fase da guerra civil, perdeu perto de 5 milhões de habitantes. Enfim, a quantidade de mortos fazia qualquer outro conflito anterior parecer uma pequena batalha perto da carnificina provocada pela Primeira Guerra Mundial. Os prejuízos materiais eram incalculáveis. O comércio estava praticamente a zero. Somente os países que ficaram distantes do palco da guerra, como os Estados Unidos e o Japão, conseguiram tirar proveito do comércio europeu. Também para a América Latina o conflito trouxe alguns benefícios. A Primeira Guerra Mundial foi o prenúncio da crise total que se abateu sobre a Europa, ao mesmo tempo que marcou a mudança do centro das decisões para o outro lado do Atlântico. Também acirrou as contradições do capitalismo, a ponto de provocar o aparecimento de uma nova forma de sociedade: a socialista. História e Saúde A Primeira Guerra Mundial, considerada um dos mais sangrentos episódios da história da humanidade, é vista por muitos historiadores como um marco no nascimento do mundo moderno. Mas o nascimento desse mundo moderno custou muito em termos de vidas. No total as estimativas variam entre 9 e 10 milhões de mortos. A maioria esmagadora dos soldados era formada por jovens. Muitos desses jovens eram estudantes de Oxford e Cambridge , as mais famosas universidades inglesas. Porém não só as balas e as bombas mataram durante os conflitos. A epidemia da chamada gripe espanhola chegou a matar muito mais do que a luta. Veja o exemplo: os Estados Unidos, que se envolveram na guerra só depois de 1917, tiveram cerca de 115 mil soldados mortos, mas a gripe espanhola matou mais de 500 mil americanos. A gripe espanhola mais do que guerra No outono de 1918, enquanto os aliados empurravam as linhas alemãs para leste, indicando que a guerra estava perdida para a Alemanha, um desastre maior do que a própria guerra estava acontecendo no mundo: o surgimento do vírus de uma gripe desconhecida até então, que se espalhou em proporções de uma pandemia. A gripe havia surgido na primavera daquele ano. O lugar exato onde se originou é desconhecido até hoje, mas as teorias popularizadas de sua origem acabou dando o nome pelo qual ficou conhecida, GRIPEESPANHOLA. Uma primeira onda da gripe chegou ao auge nos meses de junho e julho de 1918, mas foi em outubro e novembro que o número de mortes atingiu índices alarmantes. Foi somente naprimavera de 1919 que a gripe começou a diminuir a sua devastadora tarefa de matar. A mortalidade epidêmica foi simplesmente monstruosa. Na França,calcula-se que tenham morrido cerca de 166 mil pessoas na Alemanha, 225 mil, na Inglaterra 230 mil. Nos Estados Unidos, mais de 550 mil pessoas morreram em conseqüência da epidemia da chamada gripe espanhola. Na Ásia, uma das grandes atingidas foi aÍndia, com mais de 1.6 milhões de mortos. A gripe teve um particular impacto sobre a população jovem, entre crianças e adolescentes. Cerca de 25% das vítimas tinham 15 anos de idade ou menos, e 45% tinham entre 15 e 35 anos. Ao todo, mais de 20 milhões de pessoas morreram vítimas da epidemia - número muito maior do que o provocado pela guerra. Muitas explicações para as origens da gripe surgiram na época, mas o agente causador não tinha ainda sido isolado; portanto, permaneceu desconhecido. A gripe teve um caráter de praga, por isso foi vista por muitos como um castigo divino para punir a maior carnificina já feita na história do ser humano, em especial na frente ocidental. Outras hipóteses surgiram na época para explicar as condições que favoreceram a difusão da gripe. Segundo uma dessas teorias, bastante divulgada, a gripe se deveu ao enfraquecimento dos habitantes das cidades, carentes que estavam de alimentação apropriada, dando condições para o aparecimento de doenças. E, na frente de batalha, condições de insalubridade, infestação de piolhos, ratos etc. Todo tratamento que se experimentou contra a gripe se mostrou ineficaz, e a ignorância sobre sua origem impedia a fabricação de uma vacina. A causa viral da gripe espanhola só foi descoberta em fins de1933, quando o vírus mutante já havia praticamente desaparecido. TRATADO DE VERSALHES: O FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL Em 28 de junho de 1919, os países europeus assinavam o Tratado de Versalhes, que deu fim à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O acordo de paz documentava a Alemanha como a responsável pelo conflito mundial e estabelecia as despesas, multas e exigências políticas, militares e econômicas que deveriam ser cumpridas pelo país. Punitivo, o documento conta com 440 artigos e mais uma quantidade considerável de apêndices que redefinem as fronteiras da Europa, obrigando os povos germânicos a devolver territórios e ceder alguns como compensação da guerra. Assinado na cidade de Versalhes, na França, o tratado demorou cerca de seis meses para ter todos os seus termos definidos e é conhecido como uma continuação do chamado Armistício de Novembro, assinado em 1918, em Compiègne, e que pôs fim aos confrontos armados. Muitos historiadores posicionam o crescimento do nazismo como uma conseqüência cultural do Tratado de Versalhes. Sabe-se que o rigor empregado em relação ao posicionamento da Alemanha na guerra foi massacrante para a economia alemã, que ficou devastada com a guerra e as despesas seguintes. Desta forma, as imposições fizeram com que se espalhasse um forte sentimento de revanchismo e revolta entre a população alemã. Para se ter uma ideia, o período do pós-guerra, entre 1920 e 1930, é marcado por uma crise moral e econômica na Alemanha, que deu espaço à filosofia nazista e a teoria do povo ariano. Mais tarde, este sentimento levaria o país à participação em um novo conflito armado: a Segunda Guerra Mundial. O montante total pago pela Alemanha foi definido pela Tríplice Entente, principalmente França e Inglaterra, durante o estabelecimento da Comissão de Reparação. O valor oficial é de 269 bilhões de marcos alemães – dos quais 226 bilhões, como principal, e mais 12% do valor das exportações anuais da Alemanha. Em 1921, a dívida foi reduzida para 132 bilhões de marcos. CONSEQUÊNCIAS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL A Primeira Guerra Mundial terminou com a rendição da Alemanha em 11 de novembro de 1918. A partir daí, a Europa passou por uma reconfiguração de poder. As principais transformações do pós-guerra ocorreram com a edição do Tratado de Versalhes e com as novas definições no mapa político-econômico mundial com o surgimento de novas grandes potências. Tratado de Versalhes Em Versalhes, França, foi realizado o Tratado de Versalhes (1919). Este importante encontro estabeleceu que: • A Alemanha era a única culpada pela guerra; Por ter causado a guerra, os alemães teriam de pagar indenização aos vitoriosos (Inglaterra e França); O exército alemão ficaria limitado ao máximo de 100 mil soldados (número significativamente baixo); • A partir de agora os alemães estavam proibidos de produzir armas e munições; Os territórios conquistados durante a guerra seriam perdidos; A região da Alsácia-Lorena foi reincorporada à França. Porém, as definições do Tratado de Versalhes apenas acentuaram o descontentamento alemão pela derrota na Guerra. Na verdade, um sentimento de revanche enxeria os alemães de ódio pelos “vencedores” do conflito. Sentimento, aliás, que seria muito bem explorado pelos nazistas. Os Estados Unidos após a Guerra Se os estadunidenses antes da guerra eram devedores da Inglaterra, agora saiam do conflito como credores. Os Estados Unidos da América deixavam de ser uma nação emergente para se tornaram numa nova potência mundial. Ingleses e franceses após a Guerra Inglaterra e França que entraram na guerra como as principais potências mundiais, saíram do conflito em grave crise econômica devido às perdas de guerra. Outro problema sério que tiveram de enfrentar foi o de reconstrução de suas principais fontes de energia, abaladas ou perdidas durante o conflito. Criação da Liga das Nações A Liga das Nações, uma espécie de antecessora da ONU, foi criada como um mecanismo internacional de mediação de conflitos. Entre seus objetivos estava, principalmente, evitar novas guerras em território europeu. Entretanto, a Liga das Nações se mostrou ineficiente nas negociações de paz em que se envolveu. Rússia: a Revolução Russa e o pós-Guerra A saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial, determinante para a entrada dos Estados Unidos no conflito, ocorreu em função da revolução comunista que sacudiu o país em outubro de 1917. Vitoriosos na Revolução Russa, as classes proletária e camponesa, lideradas por Lênin e Trotsky, iniciaram um processo de transformação político-social-econômico radical no país. Devido a isso, a Rússia, aliando-se a outras repúblicas socialistas (Ucrânia, Letônia, Lituânia, etc.), se tornou na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Não sendo simplesmente uma nova potencia mundial que surgira, mas uma grande potência comunista. Com isso, em 1921, foi realizado o X Congresso do Partido Comunista da Rússia, neste congresso foi aprovada a Nova Política Econômica (NEP). As principais medidas da NEP foram: Formação das cooperativas nacionais (responsáveis pela produção); Autorização para o funcionamento de pequenas e médias empresas privadas; Permissão para que os pequenos camponeses comercializassem seus produtos livremente. Quanto aos setores vitais como indústrias, transportes, comunicações e o sistema financeiro, ficaram sob o controle do Estado. Essas medidas garantiram a estabilidade econômica do país, que experimentaria um processo de rápida modernização. Em 1924, com a morte de Lenin, Joseph Stálin venceu a disputa com Trotsky pelo governo soviético. Uma vez no poder, Stalin iniciou uma severa ditadura no país que duraria até a morte do ditador em 1953. A Primeira Guerra foi uma guerra sem fim Por tudo que vimos acima, especialmente com relação ao Tratado de Versalhes, o fim da Primeira Guerra Mundial não criou um ambiente de paz, ao contrário disso, ampliou as rivalidades existentes desde o período imperialista, especialmente nos alemães que passaram a desejar vingança. O discurso de Hitler era impregnado de acusações contra o Tratado de Versalhes e aos "traidores da nação", pois os social-democratas eram acusados de traidores por terem mediado a rendição do país. Com isso, as chamas da Guerra se manteriam acesas. Com o caminho estando aberto para que regimes autoritários assumissem o controle em várias nações européias, entre elas Alemanha (Hitler) e Itália (Mussolini). TRATADO DE VERSALHES: UM DOS FATORES DA 2a GUERRA MUNDIAL "A vitória total, ratificada por uma paz punitiva, imposta, arruinou as escassas possibilidades existentes de restaurar alguma coisa que guardasse mesmo fraca semelhança com uma Europa estável, liberal, burguesa, como reconheceu de imediato o economista John Maynard Keynes. Se a Alemanha não fosse reintegrada na economia européia, isto é, se não se reconhecesse e aceitasse o peso econômico do país dentro dessa economia, não poderia haver estabilidade. Mas essa era a última consideração na mente dos que tinham lutado para eliminar a Alemanha." "O acordo de paz imposto pelas grandes potências vitoriosas sobreviventes (EUA, Grã-Bretanha, França, Itália) e em geral, embora imprecisamente, conhecido como Tratado de Versalhes, era dominado por 5 considerações". Aqui Hobsbawm faz observações sobre o quanto foi arbitrária a divisão ou fatiamento político do mapa europeu pós-guerra. Só para dar um exemplo de gestação de problemas da época, o governo americano, na figura de Wilson, incentivou a criação de diversos Estados-nação étnico-linguísticos para substituir impérios fatiados - russo, habsburgo, otomano - que ainda nos anos 90 trariam guerras e massacres divisionistas : "O mapa da Europa tinha de ser redividido e retraçado, tanto para enfraquecer a Alemanha quanto para preencher os grandes espaços vazios deixados na Europa e no Oriente Médio pela derrota e colapsos simultâneos dos impérios russo, habsburgo e otomano. Os muitos pretendentes à sucessão, pelo menos na Europa, eram vários movimentos nacionalistas que os vitoriosos tendiam a estimular, contanto que fossem antibolcheviques como convinha (...) A tentativa foi um desastre, como ainda se pode ver na Europa da década de 1990. Os conflitos nacionais que despedaçam o continente na década de 1990 são as galinhas velhas do Tratado de Versalhes voltando mais uma vez para o choco*" p.39 (*) A guerra civil iugoslava, a agitação secessionista na Eslováquia, a secessão dos Estados Bálticos da antiga URSS, os conflitos entre húngaros e romenos pela Transilvânia, o separatismo da Moldova (Moldávia, ex-Bessarábia) e, na realidade, o nacionalismo transcaucasiano, são alguns dos problemas explosivos que não existiam ou não teriam como existir antes de 1914. LIGA DAS NAÇÕES: IDÉIA QUE NÃO VINGOU "A Liga das Nações foi de fato estabelecida como parte do acordo de paz e revelou-se um quase total fracasso, a não ser como uma instituição para coleta de estatísticas." "Nenhum acordo não endossado pelo que era agora uma grande potência mundial (EUA) podia se sustentar." E também: "Duas grandes potências européias, e na verdade mundiais, estavam temporariamente não apenas eliminadas do jogo internacional, mas tidas como não existindo como jogadores independentes - a Alemanha e a Rússia soviética." Esses foram fatores fundamentais para o curto período de paz - com graves crises econômicas nos países envolvidos - até a eclosão da 2a guerra mundial. Bibliografia: HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras. Tradução de Marcos Santarrita, 2ª edição, 33ª reimpressão

terça-feira, 5 de junho de 2012

1o I - texto + questões 2o bimestre

PROPOSTA 2º BIMESTRE – HISTÓRIA PROF MILTON 1º I – 27/04/2012 - INTERPRETAÇÃO TEXTO E RESOLUÇÃO QUESTÕES – PRAZO DE ENTREGA : 3 SEMANAS (18/MAIO/2012) -- ORIENTAÇÃO : OS ALUNOS DEVERAM EFETUAR A ATIVIDADE BUSCANDO INTERPRETAR O TEXTO OFERECIDO E BUSCAR INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES EM OUTRAS FONTES (LIVROS/INTERNET/ETC) ------ Egito Antigo -O espaço geográfico : A região onde se iniciou o desenvolvimento da civilização egípcia está situada no nordeste da África, com seu antigo território cortado pelo grande rio Nilo (6 500 km e 6 cataratas), ladeado por dois desertos (deserto da Líbia e da Arábia). Ao norte, o Mar Mediterrâneo favorecia a navegação e o comércio com outros povos. A leste, o Mar Vermelho, outra via de comunicação.O rio Nilo era a fonte de vida do povo egípcio, que vivia basicamente da agricultura.De junho a setembro, no período das cheias, as fortes chuvas inundavam o rio; este transbordava e cobria grandes extensões de terras que o margeavam. Essas águas fertilizavam o solo com a matéria orgânica que traziam, que se transformava em fertilizante de primeira qualidade.Além de fertilizantes, o rio trazia a abundância de peixes e dava chances a milhares de barcos navegando.Para o povo egípcio, era uma verdadeira bênção dos deuses. Aliás o próprio rio era tido como sagrado. Mas o Egito não era só esse presente da natureza. Havia necessidade de inteligência, do trabalho, da aplicação e da organização dos homens. No tempo da estiagem, num trabalho de união de forças e de conjunto, os egípcios aproveitavam as águas do rio para levar a irrigação até as terras mais distantes ou construir diques para controlar suas cheias. Após as cheias, as águas baixavam, desmanchando as divisas das propriedades agrícolas.Assim, todos os anos era necessário o trabalho do homem para medir, calcular, e isso ocasionou o desenvolvimento da geometria e da matemática.Esse esforço comum e a unidade geográfica facilitaram um governo único e centralizador. Períodos históricos O vale do Rio Nilo foi habitado desde o Paleolítico. Com o passar do tempo, surgiram comunidades organizadas e independentes chamadas nomos. Os nomos se agruparam em dois reinos (do Norte e do Sul) e por volta de 3200 a.C. foram todos unificados num só reino pelo faraó Menés. Com ele, começam as grandes dinastias (famílias reais que governaram o Egito por quase 3000 anos). Costuma-se dividir a História do Egito em três grandes períodos: Antigo Império: de 3200 a.C. até 2200 a.C.- Médio Império: de 2200 a.C. a 1750 a.C.- Novo Império: de 1580 a.C. a 1085 a.C. -No final do Médio Império houve uma grande imigração pacífica dos hebreu para o Egito, que acabaram sendo escravizados e finalmente liberados para voltarem a seu país de origem. Depois dos hebreus, os hicsos invadiram o Egito, aí se estabelecendo por duzentos anos e desde sua expulsão teve início o Novo Império. Ao final do Novo Império, houve um enfraquecimento do Egito e sua decadência facilitou a invasão e o domínio por parte de vários povos, como persas, gregos e romanos. Nos tempos modernos, o Egito foi dominado politicamente pelos franceses e ingleses, até se tornar independente em 1962, como país moderno com governo próprio. Sociedade egípcia : No Egito, a sociedade se dividia em algumas camadas, cada uma com suas funções bem definidas. A mulher, ao contrário da maioria das outras civilizações da antiguidade oriental, possuia posição excêntrica, podendo ocupar altos cargos políticos e religiosos, estabelecendo relativa igualdade com o homem. A sociedade egípcia era heterogênea, dos quais se destacam 3 ordens principais: 1- Faraó e sua família; 2- Nobreza (detentora real das terras), Escribas (burocratas) e o Clero (sacerdotes); 3- Felás (camponeses, trabalham presos a terra e em obras públicas); Cabe ressaltar que entre a segunda e a terceira camada, havia ainda pequenos artesãos, militares, o baixo clero, e comerciantes incipientes que não bem representavam uma nova camada, mas indivíduos sem ordenação política dependente dos superiores. Ocorrem escravos, mas em número não relevante. ---- Classes sociais : O faraó representa a própria vida do Egito. Era rei e deus vivo. Adorado, reverenciado. Podia possuir várias esposas, a maioria sendo parentes, para garantir o sangue real em família. Porém, só uma usava o título de rainha e dela nascia o herdeiro.A classes sociais no Antigo Egito eram (por ordem de importância): O faraó era um rei todo-poderoso, proprietário de todo o território. A sagrada figura do faraó era elemento básico para a unidade de todo o Egito. O povo via no faraó a sua própria sobrevivência e a esperança na felicidade. Os sacerdotes tinham enorme prestígio e poder, tanto espiritual como material, pois administravam as riquezas e os bens dos grandes e ricos templos. Eram também os sábios do Egito. Dos altos funcionários, o mais importante era o vizir, responsável pela administração do império. Os monarcas eram administradores das províncias ou nomos. Assumiam funções importantes em suas províncias, como as de juízes e chefe político e militar, mas estavam subordinados ao poder de faraó. Os guerreiros defendiam o reino e auxiliavam na manutenção de paz. Tinham direito a vários benefícios, o que lhes garantia prestígio e riquezas. Os escribas, provenientes das famílias ricas e poderosas, aprendiam a ler e a escrever e se dedicavam a registrar, documentar e contabilizar documentos e atividades da vida no Egito. Os artesãos e os comerciantes. Os artesãos trabalhavam especialmente para os reis, para a nobreza e para os templos. Já os comerciantes se dedicavam ao comércio em nome dos reis e nobres ou em nome próprio. O comércio forçou a construção de grandes barcos cargueiros. Os camponeses formavam a maior parte da população. Os trabalhos dos campos eram organizados e controlados pelos funcionários do faraó, pois todas terras eram do governo. Os escravos eram, na maioria, perseguidos entre os vencidos nas guerras. Foram duramente forçados ao trabalho nas grandes construções, como as pirâmides, por exemplo. Religião e mitologia Os egípcios não viam diferenças entre a realidade religiosa e seu convívio social: tudo para eles era uma coisa só. Ao contrário do que se acredita, o povo egípcio era politeísta. Deus para eles é a representação do Amor Puro, e se manifestava sobre três formas: Atum-Rá - Entidade estática antes de manifestar o Universo; Ptah - Característica criadora de Deus, do Universo e dos Seres; Thot - multiplicador da Natureza e de todas as coisas. Isso fica simples de entender quando pensamos, por exemplo, em uma mulher com seus filhos: ela é mãe, esposa, amiga, mulher e trabalhadora. Ela atua em todos esses aspectos, mesmo sendo apenas uma. O conhecimento advinha dos estudos realizados pelos sumo-sacerdotes. Imhotep ("O Sabio que vem em paz") ganhou grande destaque na história deste povo, sendo uma criatura multifacetada de conhecimentos que permeavam a medicina, a filosofia, a química, arquitetura, astronomia, etc. Eles aprenderam a observar a Natureza, suas mudanças, as cheias e vazantes do Rio Nilo e o comportamento dos animais. Estudaram com esmero os animais, e sua função vital, isto é, seu objetivo na encarnação em que estavam. A utilização da imagem destes seres, associados aos humanos (cabeça de animal e corpo humano) relacionava a função daquele determinado animal, suas qualidades, e logo ficava implícito o significado daquela mensagem. O Falcão, por exemplo, nos remete à liberdade; o falcão também tem uma visão muito apurada e consegue ver tudo de longe e ao mesmo tempo se fixar e um ponto e ver com detalhes. Essas características eram colocadas aos Faraós ou Sacerdotes, a fim de que o povo pudesse se espelhar e entender o significado. Portanto, todas as manifestações zoomórficas não tem relação com o Politeísmo. Ao contrário: eles entendiam que aquelas imagens talhadas nas paredes dos Templos, feitas da maneira como foram, serviriam como mensagem para o futuro. E foi o que aconteceu. O rio Nilo foi a coluna vertebral da civilização egípcia. Eles seguiam os aspectos da astronomia, observando suas mudanças relacionadas com as mudanças na Natureza e passaram a fazer essas conexões. Entenderam que o planeta vivia em ciclos divididos em 12 signos, 12 estágios pelos quais o planeta passaria influenciado pelas alterações dos céus, dentro do processo de rotação e translação da Terra, juntamente com os equinócios e solstícios. A partir desses estudos, conheceram os pontos nevrálgicos (pontos de grande concentração de energia) e ali construíram as Pirâmides. Diferente do que já se foi estudado, as Pirâmides na verdade eram grandes Templos de meditação e edificação espiritual dos sumo-sacerdotes e seus iniciados. Foram construídas com uma grande riqueza de detalhes, preocupando-se em criar ambientes da mais alta estirpe de Luz e de Amor, acelerando os processos na escala evolutiva de todos que ali participavam. Contudo, ao final da utilização de um determinado Templo, ou dada a morte do alto-sacerdote responsável, o Templo era abandonado e eles iam para outro local (acreditava-se que cada Templo desenvolvia uma etapa da evolução do espírito, rumo ao Amor Puro). Com isso, os espaços eram utilizados para enterro dos Faraós, o que nos fazia acreditar até então que as pirâmides eram somente locais para se enterrar os mais "importantes" naquele determinado período. Todas as 108 pirâmides tinham um propósito claro de desenvolvimento e edificação do ser humano, objetivando a criação de uma civilização de Amor e Harmonia. Os egípcios afirmaram a vida após a morte, a partir dos seus escritos, talhados nas paredes das ruinas egípcias. A partir de suas meditações, dentro desses Templos astrológicamente preparados para tal, mantinham contato com espíritos mais evoluídos, que lhes passavam o conhecimento. Platão estudou com esses sumo-sacerdotes e revelou o conhecimento dos sólidos universais, ou sólidos platônicos. Tais sólidos revelam a essência da criação do Universo e de todas as coisas, partindo do Olho de Hórus. Acredita-se, ainda, que a civilização egípcia veio da extinta (e lendária) civilização Atlanti ("terra circular cercada de água"). Atlântida foi uma civilização anterior a nossa, que viveu na Terra a mais de 10000 anos. Este sacerdote e alguns outros sobreviventes, com o conhecimento já acumulado (principalmente em campos eletromagnéticos e física quântica), perceberam que ali no Egito seria o ponto ideal para a reconstrução de uma nova civilização, transformando o homem primitivo, guiado pelo medo, em um homem pleno, guiado pelo amor, dentro da Resignação (entendendo que tudo o que acontece é consequência de atos próprios), Compreensão (partindo do autoconhecimento e de conhecimentos adquiridos) das Forças da Natureza (entendendo suas manifestações, alterações e aprendendo a lidar, respeitando-a). --------------- 1- Explique a relação entre a história do Antigo Egito e seu espaço geográfico. --- 2- Como é dividida a história do Antigo Egito ? --- 3- Comente as invasões ocorridas no Antigo Egito. ---- 4- Quais eram as camadas existentes na sociedade egípcia? ------------ 5- Explique a importância do faraó no Antigo Egito. --------------- 6- Diferencie camponeses, comerciantes e escravos. ---------------- 7- Quais eram os principais deuses da religião egípcia e quais suas características? -------- 8- Explique o que eram as pirâmides. ----------------------------- 9- Comente a frase : ‘O Egito é uma dádiva do rio Nilo’ ------------------------------------ 10- Explique o regime de cheias do rio Nilo e sua relação com a cultura dos egípcios.

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TEORIA DO ESTADO MODERNO: LEITURAS ECONÔMICAS E ... www.ieps.org.br/Wanilton.pdf Rumo à construção do Estado Moderno - Recensio - Revista de ... www.recensio.ubi.pt/modelos/recensoes/recensao.php3?codrec=40 O pioneirismo do Estado Moderno Português. Estado Moderno ... www.brasilescola.com/.../o-pioneirismo-estado-moderno-portugues.h... Idade Moderna - Estado Moderno e Mercantilismo www.juliobattisti.com.br › Lista Completa de Tutoriais Estado Moderno e o Absolutismo - Cola da Web www.coladaweb.com › História Estado Moderno www.slideshare.net/Juray/estado-moderno-2678678 História de Portugal - Volume II (1415-1495) - A Formação do - Wook www.wook.pt › ... › Livros em Português › História › História de Portugal Rumo à construção do Estado Moderno - Recensio - Revista de ... www.recensio.ubi.pt/modelos/recensoes/recensao.php3?codrec=40 Manuel I de Portugal – Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_I_de_Portugal Navegando na História: Revolução de Avis navegandonahistoria.blogspot.com/2006/02/revoluo-de-avis_20.html Revolução de Avis - História - Grupo Escolar www.grupoescolar.com › História O que foi a chamada Revolucao de Avis? - Yahoo! 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Gil Eanes e o Cabo Bojador www.portais.ws/?page=art_det&ida=5641 Bartolomeu Dias – Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Dias Cabo da Boa Esperança – Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_da_Boa_Esperança Bartolomeu Dias - Biografia - UOL Educação educacao.uol.com.br/biografias/bartolomeu-dias.jhtm Bartolomeu Dias dobra o cabo das Tormentas - D.João II-13º Rei de ... domjoaosegundo.blogspot.com/.../bartolomeu-dias-dobra-o-cabo-das... 1488 - Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança - Portuga ... portuga-coruche.blogs.sapo.pt/299603.html Cabo da Boa Esperança - Cape of Good Hope www.africa-turismo.com/africa-do-sul/cabo-esperanca.htm Vasco da Gama – Wikipédia, a enciclopédia livre pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_da_Gama Descoberta do caminho marítimo para a Índia – Wikipédia, a ... pt.wikipedia.org/.../Descoberta_do_caminho_marítimo_para_a_Índia A VIAGEM DE VASCO DA GAMA nonio.eses.pt/gama/ A primeira viagem de Vasco da Gama à Índia - Guia do Estudante guiadoestudante.abril.com.br › ... › Estudar › Aventuras na História A viagem de Vasco da Gama - portaldoastronomo.org www.portaldoastronomo.org/tema_pag.php?id=31&pag=1 A viagem de Vasco da Gama - Artimanha www.artimanha.com.br/.../Hist%20Nau%20S%20Gabriel.htm Vasco da Gama - Biografia - UOL Educação educacao.uol.com.br/biografias/vasco-da-gama.jhtm

domingo, 3 de junho de 2012

Trégua Natal 1914

http://beatlescollege.wordpress.com/2011/12/19/a-historia-interessante-do-video-de-pipes-of-peace/ http://www.youtube.com/watch?v=Vs3gK9PYd8g

Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol por Bruno Leuzinger Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada. E de repente o silêncio é quebrado. Das trincheiras alemãs, ouve-se alguém cantando. Os companheiros fazem coro e logo há dezenas, talvez centenas de vozes no escuro. Cantam “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Atônitos, os britânicos escutam a melodia sem compreender o que diz a letra. Mas nem precisam: mesmo quem jamais a tivesse escutado descobriria que a música fala de paz. Em inglês, ela é conhecida como “Silent Night”; em português, foi batizada de “Noite Feliz”. Quando a música acaba, o silêncio retorna. Por pouco tempo. “Good, old Fritz!”, gritam os britânicos. Os “Fritz” respondem com “Merry Christmas, Englishmen!”, seguido de palavras num inglês arrastado: “We not shoot, you not shoot!”(“Nós não atiramos, vocês também não”). Estamos em algum lugar de Flandres, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1914. E esta história faz parte de um dos mais surpreendentes e esquecidos capítulos da Primeira Guerra Mundial: as confraternizações entre soldados inimigos no Natal daquele ano. Ao longo de toda a frente ocidental – que se estendia do mar do Norte aos Alpes suíços, cruzando a França –, soldados cessaram fogo e deixaram por alguns dias as diferenças para trás. A paz não havia sido acertada nos gabinetes dos generais; ela surgiu ali mesmo nas trincheiras, de forma espontânea. Jamais acontecera algo igual antes. É o que diz o jornalista alemão Michael Jürgs em seu livro Der Kleine Frieden im Grossen Krieg – Westfront 1914: Als Deutsche, Franzosen und Briten Gemeinsam Weihnachten Feierten (“A Pequena Paz na Grande Guerra – Frente Ocidental 1914: Quando Alemães, Franceses e Britânicos Celebraram Juntos o Natal”, inédito no Brasil). Conhecido então como Grande Guerra (pouca gente imaginava que uma segunda como aquela seria possível), o conflito estourou após a morte do arquiduque Francisco Ferdinando. Herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, ele e sua esposa Sofia foram assassinados em Sarajevo, na Sérvia, no dia 28 de junho. O atentado, cometido por um estudante, fora tramado por um membro do governo sérvio. Um mês mais tarde, em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. As nações européias se dividiram. Grã-Bretanha, França e Rússia se aliaram aos sérvios; a Alemanha, aos austro-húngaros. Nas semanas seguintes, os alemães invadiram a Bélgica, que até então se mantivera neutra, e, ainda em agosto, atravessaram a fronteira com a França. Chegaram perto de tomar Paris, mas os franceses os detiveram, em setembro. Nos primeiros meses, a propaganda militar conseguiu inflar o orgulho dos soldados – de lado a lado. O fervor patriótico crescia paralelamente ao ódio pelos inimigos. Entretanto, em dezembro o moral das tropas já despencara. A guerra se arrastava havia quase um semestre. Os britânicos haviam perdido 160 mil homens até então; Alemanha e França, 300 mil cada. Para piorar, as condições nas trincheiras eram péssimas. O odor beirava o insuportável, devido às latrinas descobertas e aos corpos em decomposição. Estirados pela terra de ninguém, cadáveres atraíam ratazanas aos milhares. Era um verdadeiro banquete. Com tanta carne, elas engordavam tanto que algumas eram confundidas com gatos. Pior que as ratazanas, só os piolhos. Milhões deles, nos cabelos, barbas, uniformes. Em toda parte. Quando chovia forte, a água batia na altura dos joelhos. Dormia-se em buracos escavados na parede e era comum acordar assustado no meio da noite, por causa das explosões ou de uma ratazana mordiscando seu rosto. Durante o dia, quem levantasse a cabeça sobre o parapeito era um homem morto. Os franco-atiradores estavam sempre à espreita (no final da tarde, praticavam tiro ao alvo no inimigo e, quando acertavam, diziam que era um “beijo de boa-noite”). O soldado entrincheirado passava longos períodos sem ter o que fazer. Horas e horas de tédio sentado no inferno. Só restava esperar e olhar para céu – onde não havia ratazanas nem cadáveres. O cotidiano de horrores foi minando a vontade de lutar. Uma semana antes do Natal já havia sinais disso. Foi assim em Armentières, na França, perto da fronteira com a Bélgica. Soldados alemães arremessaram um pacote para a trincheira britânica. Cuidadosamente embalado, trazia um bolo de chocolate e dentro, escondido, um bilhete. Os alemães pediam um cessar-fogo naquela noite, entre 19h30 e 20h30. Era aniversário do capitão deles e queriam surpreendê-lo com uma serenata. O bolo era uma demonstração de boa vontade. Os britânicos concordaram e, na hora da festa inimiga, sentaram no parapeito para apreciar a música. Aplaudidos pelos rivais, os alemães anunciaram o encerramento da serenata – e da trégua – com tiros para cima. Em meio à barbárie, esses pequenos gestos de cordialidade significavam muito. Ainda assim, era difícil imaginar o que estava por vir. Na noite do dia 24, em Fleurbaix, na França, uma visão deixou os britânicos intrigados: iluminadas por velas, pequenas árvores de Natal enfeitavam as trincheiras inimigas. A surpresa aumentou quando um tenente alemão gritou em inglês perfeito: “Senhores, minha vida está em suas mãos. Estou caminhando na direção de vocês. Algum oficial poderia me encontrar no meio do caminho?” Silêncio. Seria uma armadilha? Ele prosseguiu: “Estou sozinho e desarmado. Trinta de seus homens estão mortos perto das nossas trincheiras. Gostaria de providenciar o enterro”. Dezenas de armas estavam apontadas para ele. Mas, antes que disparassem, um sargento inglês, contrariando ordens, foi ao seu encontro. Após minutos de conversa, combinaram de se reunir no dia seguinte, às 9 horas da manhã. No dia seguinte, 25 de dezembro, ao longo de toda a frente ocidental, soldados armados apenas com pás escalaram suas trincheiras e encontraram os inimigos no meio da terra de ninguém. Era hora de enterrar os companheiros, mostrar respeito por eles – ainda que a morte ali fosse um acontecimento banal. O capelão escocês J. Esslemont Adams organizou um funeral coletivo para mais de 100 vítimas. Os corpos foram divididos por nacionalidade, mas a separação acabou aí: na hora de cavar, todos se ajudaram. O capelão abriu a cerimônia recitando o salmo 23. “O senhor é meu pastor, nada me faltará”, disse. Depois, um soldado alemão, ex-seminarista, repetiu tudo em seu idioma. No fim, acompanhado pelos soldados dos dois países, Adams rezou o pai-nosso. Outros enterros semelhantes foram realizados naquele dia, mas o de Fleurbaix foi o maior de todos. Aquela situação por si só já era inusitada: alemães e britânicos cavando e rezando juntos. Mas o que se viu depois foi um desfile de cenas surreais. Em Wez Macquart, França, um britânico cortava os cabelos de qualquer um – aliado ou inimigo – em troca de alguns cigarros. Em Neuve Chapelle, também na França, os soldados indicavam discretamente para seus novos amigos a localização das minas subterrâneas. Em Pervize, na Bélgica, homens que na véspera tentavam se matar agora trocavam presentes: tabaco, vinho, carne enlatada, sabonete. Uns disputavam corridas de bicicleta, outros caçavam coelhos. Uma luta de boxe entre um escocês e um alemão foi interrompida antes que os dois se matassem. Alguém sugeriu um duelo de pistolas entre um alemão e um inglês, mas a idéia foi rechaçada – afinal, aquilo era um cessar-fogo. Porém, o melhor estava por vir. Nos dias 25 e 26, foram organizadas animadas partidas de futebol. Centenas jogaram bola nos campos de batalha. “Bola” em muitos casos era força de expressão; podia ser apenas um monte de palha amarrado com arame, ou uma lata de conserva vazia. E, no lugar de traves, capacetes, tocos de madeira ou o que estivesse à mão. Foi assim em Wulvergem, na Bélgica, onde o jogo foi só pelo prazer da brincadeira, ninguém prestou atenção no resultado. Mas houve também partidas “sérias”, com direito a juiz e a troca de campo depois do intervalo. Numa delas, que se tornou lendária, os alemães derrotaram os britânicos por 3 a 2. A vitória suada foi cercada de polêmica: o terceiro gol alemão teria sido marcado em posição irregular (o atacante estava impedido) e a partida, encerrada depois que a bola – esta de verdade, feita de couro – furou ao cair no arame farpado. A maioria das confraternizações se deu nos 50 quilômetros entre Diksmuide (Bélgica) e Neuve Chapelle. Os soldados britânicos e alemães descobriam ter mais em comum entre si que com seus superiores – instalados confortavelmente bem longe da frente de batalha. O medo da morte e a saudade de casa eram compartilhados por todos. Já franceses e belgas eram menos afeitos a tomar parte no clima festivo. Seus países haviam sido invadidos (no caso da Bélgica, 90 por cento de seu território estava ocupado), para eles era mais difícil apertar a mão do inimigo. Em Wijtschate, na Bélgica, uma pessoa em particular também ficou muito irritada com a situação. Lutando ao lado dos alemães, o jovem cabo austríaco Adolf Hitler queixava-se do fato de seus companheiros cantarem com os britânicos, em vez de atirarem neles. Naquele tempo, Hitler ainda não apitava nada. Entretanto, os homens que davam as cartas também não estavam nem um pouco felizes. Dos quartéis-generais, os senhores da guerra mandaram ordens contra qualquer tipo de confraternização. Quem desrespeitasse se arriscava a ir à corte marcial. A ameaça fez os soldados voltarem para as trincheiras. Durante os dias seguintes, muitos ainda se recusavam a matar os adversários. Para manter as aparências, continuavam atirando, mas sempre longe do alvo. Na noite do dia 31, em La Boutillerie, na França, o fuzileiro britânico W.A. Quinton e mais dois homens transportavam sua metralhadora para um novo local, quando de repente ouviram disparos da trincheira alemã. Os três se jogaram no chão, até perceberem que os tiros eram para o alto: os alemães comemoravam a virada do ano. A trégua velada resistiu ainda por um tempo. Até março de 1915, alemães e britânicos entrincheirados em Festubert, na França, faziam de conta que a guerra não existia – ficava cada um na sua. Mas a lembrança das confraternizações foi aos poucos cedendo espaço para o ódio. A carnificina recrudesceu, prosseguindo até a rendição da Alemanha, em novembro de 1918, arrasando a Europa e deixando cerca de 10 milhões de mortos. Talvez a matança até valesse a pena, se a profecia do escritor de ficção científica H.G. Wells tivesse dado certo. O autor de A Máquina do Tempo escrevera em um ensaio que aquela seria “a guerra que acabaria com todas as guerras”. Wells, é claro, estava enganado. Os momentos de paz, como os do Natal de 1914, seriam escassos também ao longo de todo o século 20. A Grande Guerra tinha sido só o começo. Saiba mais Livros Der Kleine Frieden im Grossen Krieg, de Michael Jürgs, Ed. Bertelsmann, 2003 351 páginas, 23 euros FONTES: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-foi-a-luta-de-trincheiras-na-primeira-guerra-mundial http://historia.abril.com.br/guerra/noite-feliz-terra-ninguem-natal-1914-433575.shtml EXTRA:

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Links 1a guerra

1a guerra : - http://f5dahistoria.wordpress.com/2011/05/27/i-guerra-mundial-a-vida-nas-trincheiras/ ------------------------------------------------- ------------------------------------------------- http://historiasdetrincheira.blogspot.com.br/ - ----------------------------------------------------- http://old.enciclopedia.com.pt/print.php?type=A&item_id=1848 - ---------------------------------------------------------- http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=dk-A0sZr1xs#! - http://www.youtube.com/watch?v=cqLDc9r5R0U - -------------------------------------------------------------- http://www.youtube.com/watch?v=1kYa4a_qpew - ----------------------------------------------------------- http://www.youtube.com/watch?v=17eKyOGktmY&feature=related