Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.
As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.
O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e, portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens “modernos” valorizaram o antropocentrismo: “O homem é a medida de todas as coisas”; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.
Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.
Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o “culto ao prazer”, ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.
O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de “homem universal”, matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.
ITÁLIA: O BERÇO DO RENASCIMENTO
Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aquelas ligadas ao comércio.
Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se, possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.
Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos “sábios bizantinos”, homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.
A PRODUÇÃO RENASCENTISTA
É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de “alguns grandes homens”, mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.
O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento. O Mecenas era considerado como “protetor”, homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.
Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.
A EXPANSÃO DO RENASCIMENTO
No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.
O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses “países atlânticos” desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.
Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.
A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.
Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante não existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.
ENTREVISTA – RENASCIMENTO Neste "bate-papo com o autor", que pode ser considerado uma apresentação de seu livro O Renascimento, Nicolau Sevcenko nos revela a importância e o alcance do movimento renascentista, analisado sob a perspectiva de uma autêntica revolução cultural que estabelece as bases intelectuais do mundo moderno. Vale destacar a observação do Sevcenko de que o Renascimento, longe de representar uma ruptura com a Idade Média, pode ser entendido como "o florescimento de um longo processo anterior de produção, (...) desencadeado desde a Baixa Idade Média."
Pergunta: De que forma o conhecimento da cultura renascentista pode auxiliar no entendimento do presente? R. A história da cultura renascentista nos ilustra com clareza todo o processo de construção cultural do homem moderno e da sociedade contemporânea. Nele se manifestam, já muito dinâmicos e predominantes, os germes do individualismo, do racionalismo e da ambição ilimitada, típicos de comportamentos mais imperativos e representativos do nosso tempo. Ela consagra a vitória da razão abstrata, que é a instância suprema de toda a cultura moderna, versada no rigor das matemáticas que passarão a reger os sistemas de controle do tempo, do espaço, do trabalho e do domínio da natureza. Será essa mesma razão abstrata que estará presente tanto na elaboração da imagem naturalista pela qual é representado o real, quanto na formação das línguas modernas e na própria constituição da chamada identidade nacional. Ela é a nova versão do poder dominante e será consubstanciada no Estado Moderno, entidade racionalizadora, controladora e disciplinadora por excelência, que extinguira a multiplicidade do real, impondo um padrão único, monolítico e intransigente para o enquadramento de toda sociedade e cultura. Isso, contraditoriamente, fará brotar um anseio de liberdade e autonomia de espírito, certamente o mais belo legado do Renascimento à atualidade.
Pergunta: Como explicar a pujança do Renascimento, surgindo em continuidade à miséria, à opressão e ao obscurantismo do período medieval? R. O Renascimento assinala o florescimento de um longo processo anterior de produção, circulação e acumulação de recursos econõmicos, desencadeado desde a Baixa Idade Média. São os excedentes dessa atividade crescente em progressão maciça que serão utilizados para financiar, manter e estimular uma ativação econõmica. Surge assim a sociedade dos mercadores, organizada por princípios como a liberdade de iniciativas, á cobiça e a potencialidade do homem, compreendido como senhor todo-poderoso da natureza, destinado a dominá-la e submetê-la à sua vontade, substituindo-se no papel do próprio Criador. O Renascimento, portanto, é a emanação da riqueza e da abundância e seus maiores compromissos serão para com ela.
Pergunta: Certa vez ouvi você comparando a experiência do artista renascentista com a empresa das grandes navegações. Como seria isso? R. Nós temos no Renascimento um desses momentos particularmente interessantes da História, em que o homem aparece transtornado, atõnito, sufocado pelo peso da própria liberdade. Nessas condições podemos tentar fazer uma avaliação desse homem preso na solidão de ser livre e temos uma situação estratégica para verificar a dimensão de sua coragem, de seus desejos e de seus pavores. O Renascimento constitui, por isso, uma das mais fascinantes aventuras intelectuais da humanidade. Ele guarda uma semelhança mais do que notável com a empresa das grandes navegações. Para se atreverem a essas perigosas viagens marítimas, esses homens, ainda modestamente equipados, foram igualmente encorajados pelas comunidades burguesas e cortesãs, receberam privilégios, honrarias e regalias, mas tiveram que enfrentar monstros míticos e reais, tiveram que suportar, ao mesmo tempo, a atração e o medo do desconhecido, tiveram que acreditar em si mesmos em seus confrades mais do que em entidades sobrenaturais, tiveram que enfrentar todos os riscos de desbravar novos mundos e tiveram que suportar o choque de valores completamente diversos dos seus. E muitos deles, como Colombo, acabaram na solidão, no sofrimento e na miséria, desprezados pelos que se abeberavam de suas conquistas. O mesmo aconteceu com inúmeros criadores do Renascimento. E, no entanto, esses homens viveram uma experiência soberana de criação e puderam provar o gosto amargo, porém único, de serem livres
' LIBERTAR primeiro, ensinar depois' Cogito ergo sum “Não que eu imitasse os cépticos, que duvidam apenas por duvidar, e ostentam apenas manter-se em irresolução; pois, ao contrário, todo o meu projeto era simplesmente firmar-me na certeza, e rejeitar a terra e areia instável em prol de colocar-me em rocha ou argila.”
terça-feira, 10 de abril de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Links p 3os Anos : Gobineau, Imigração e o 'Branqueamento' da População
Sugestão de textos de apoio aos 3os anos.
Arthur de Gobineau – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_de_Gobineau
Povo de Bahá: O livro do Conde de Gobineau
povodebaha.blogspot.com/2004/.../o-livro-do-conde-de-gobineau.ht...
HISTÓRIA - Brasil - Franceses na América
educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/franceses2.htm
Gobineau e Chamberlain - Terra
educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/eugenia7.htm
GOBINEAU
www.cobra.pages.nom.br/fcp-gobineau.html
O racismo de GOBINEAU
www.nacaomestica.org/GobineauMFP.htm
Conde de GOBINEAU, biografia
www.geocities.ws/fusaoracial/gobineau.htm
Joseph Arthur Gobineau
www.dec.ufcg.edu.br/biografias/Gobineau.html
José Luis Petruccelli, Doutrinas francesas e o pensamento racial ...
bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/brasil/cpda/.../petruc7.htm
Dados - Tocqueville and Gobineau in the world of equals
www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582006000300005...sci...
IMPERIALISMOS, GOBINEAU E O RACISMO – 3ª SÉRIE E.M. ...
historiaja.wordpress.com/.../imperialismos-gobineau-e-o-racismo-3ª-s...
Agassiz e Gobineau – as Ciências contra o Brasil Mestiço
www.fiocruz.br/ppghcs/media/dissertacaoricardoalexandre.pdf
Imigração no Brasil - Portal São Francisco
www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/...brasil/imigracao-no-brasil.php
Imigração no Brasil. História da Imigração no Brasil - Brasil Escola
www.brasilescola.com/brasil/imigracao-no-brasil.htm
Imigração no Brasil e os Imigrantes - história, resumo, imigração ...
www.suapesquisa.com/historia/imigracao/
História da Imigração no Brasil - Resumo
www.historiadobrasil.net/imigracao/
Imigração no Brasil - Geografia do Brasil
www.colegioweb.com.br › Geografia › Geografia do Brasil
Branqueamento da população
pt.scribd.com/doc/55122158/Branqueamento-da-populacao
As políticas públicas de imigração européia não-portuguesa para o ...
www.feth.ggf.br/migração.htm
Democracia racial no Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_racial_no_Brasil
O sonho racista de um povo branco - José Carlos Rui
www.nacaomestica.org/hemero_050501_publ_jornal_dos_economist...
"A tese do branqueamento" - escreveu Skidmore - "baseava-se na ...
amazonida.orgfree.com/movimentoafro/branqueamento.htm
Arthur de Gobineau – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_de_Gobineau
Povo de Bahá: O livro do Conde de Gobineau
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Gobineau e Chamberlain - Terra
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Joseph Arthur Gobineau
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José Luis Petruccelli, Doutrinas francesas e o pensamento racial ...
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Dados - Tocqueville and Gobineau in the world of equals
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IMPERIALISMOS, GOBINEAU E O RACISMO – 3ª SÉRIE E.M. ...
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Agassiz e Gobineau – as Ciências contra o Brasil Mestiço
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Imigração no Brasil - Portal São Francisco
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Imigração no Brasil. História da Imigração no Brasil - Brasil Escola
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Imigração no Brasil e os Imigrantes - história, resumo, imigração ...
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História da Imigração no Brasil - Resumo
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Imigração no Brasil - Geografia do Brasil
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Branqueamento da população
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As políticas públicas de imigração européia não-portuguesa para o ...
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Democracia racial no Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre
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O sonho racista de um povo branco - José Carlos Rui
www.nacaomestica.org/hemero_050501_publ_jornal_dos_economist...
"A tese do branqueamento" - escreveu Skidmore - "baseava-se na ...
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Links Imperialismo - 3os
HISTORIANET
www.historianet.com.br/
HISTORIA GERAL - HISTORIA DO BRASIL - ATUALIDADES ...
www.historiageral.net/
História Online
historiaonline.com.br
Imperialismo e Neocolonialismo - História, resumo, colonização da ...
www.suapesquisa.com/historia/imperialismo/
Imperialismo – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Imperialismo
Neocolonialismo – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Neocolonialismo
Capitalismo Monopolista, Imperialismo e Neocolonialismo
www.culturabrasil.org/neocolonialismo.htm
Neocolonialismo e Imperialismo - Esquema Resumo
www.tg3.com.br/neocolonialismo/imperialismo.htm
O Neocolonialismo - HISTORIANET
www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=252
Imperialismo-Neocolonialismo
campus.fortunecity.com/drew/273/impneo.doc
www.scribd.com/doc/.../Imperialismo-e-Neocolonialismo-Mto-Bom
Imperialismo & Neocolonialismo _ Definindo Conceitos
pt.shvoong.com › Artes & Humanidades › História
Lista de filmes históricos – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_históricos
Imperialismo e Neocolonialismo - História, resumo, colonização da ...
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Nova História: As Unificações e o Imperialismo no Século XIX
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Neocolonialismo – Wikipédia, a enciclopédia livre
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O Neocolonialismo - HISTORIANET
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Hominídeo "Ardi" foi a descoberta mais importante de 2009
Hominídeo "Ardi" foi a descoberta mais importante de 2009, diz revista da France Presse, em Washington 18/12/2009 - 13h30 Fonte : Folha de São Paulo
O fóssil lidera a lista dos dez maiores avanços científicos do ano, que também inclui a descoberta de água na Lua e o uso de folhas de átomos de carbono ultrafinas em aparelhos eletrônicos experimentais. "Ardi", um Ardipithecus ramidus, foi objeto de 15 anos de estudo minucioso por antropólogos. O esqueleto, encontrado na Etiópia, deu início a uma nova etapa na pesquisa da evolução do homem, segundo os cientistas.
Sendo 1,2 milhão de anos mais velho que "Lucy", até então o fóssil de hominídeo mais antigo já encontrado, Ardi está ajudando a derrubar mitos populares sobre a relação direta entre o ser humano e os símios modernos. A análise do crânio, dos dentes, da pélvis, das mãos, dos pés e de outros ossos de "Ardi" mostraram que os símios africanos evoluíram consideravelmente desde o momento em que compartilharam um ancestral comum com os humanos.
"[Ardi] muda a maneira de pensarmos sobre a evolução humana mais antiga", indicou Bruce Alberts, editor da "Science".
A ORIGEM DO HOMEM E A PRE-HISTORIA - COMO O "HOMEM" SE TRANSFORMOU EM HOMEM
Há 70 milhões de anos, começou a idade dos mamíferos. Pequenos animais foram, depois de milhares de anos, abandonando o chão e se adaptando às árvores. Da evolução desses seres, surgiram os primatas e depois os antropóides. Quando parte desses primitivos seres começou a fazer o lento caminho de volta para o chão, o "homem" dava seu primeiro sinal de formação.
A REVOLUÇÃO DE CHARLES DARWIN
Como o homem surgiu na Terra? Qual a origem do planeta em que habitamos? Essas são perguntas que sempre estiveram presentes na mente do homem em todas as épocas. Todos os povos criaram mitos procurando responder a essas indagações. Em 1650, um pensador religioso inglês, baseado nas crenças judaico-cristãs, chegou à
conclusão, sem nenhum critério científico, de que o homem havia sido criado no ano de 4004 a.C.
No século XIX, as descobertas arqueológicas destruíram explicações como essa. E foi nesse mesmo século, rico em pesquisas, que Charles Darwin publicou seu livro A origem das espécies. A partir de anotações feitas em uma viagem de navio pelo mundo (183 1-1836) e de estudos sobre tais anotações, Darwin formulou a teoria da mutação das espécies. Observou que. por meio da mutação, as espécies se adaptam ao meio natural, geram criaturas diferentes de si mesmas e dão origem a novas espécies. Concluiu, então, que algumas espécies se extinguiam dando lugar a outras: esse processo seria o da seleção natural. Mais tarde, Darwin estendeu essa teoria para o surgimento do homem, classificando-o como descendente dos antropóides. A comunidade científica e outros setores da sociedade opuseram-se a essa conclusão, pois não podiam admitir que o homem branco, superior". Descendesse de macacos. Na verdade, sabe-se hoje que o homem é parente do macaco e não seu descendente. As descobertas de Darwin foram muito importantes, mas não definitivas, pois as pesquisas continuam, até hoje lançando sempre novas luzes sobre as origens do homem.
OS NOSSOS ANCESTRAIS
A mais antiga espécie de hominídeo foi o Australopithecus, que surgiu no sul da África há cerca de 3 milhões de anos. Este nosso provável ancestral tinha algumas características semelhantes ao homem moderno e criou o primeiro instrumento. Quando um dos nossos ancestrais passou a andar sobre dois pés (bipedismo), isso o deixou com as mãos livres para fazer e usar objetos. O trabalho com as mãos foi sofisticando a sua capacidade de manipular, estimulando o crescimento do seu cérebro e a sua capacidade intelectual. O fato de o homem fabricar seus instrumentos dotou-o de cultura, diferenciando-o dos animais.
A PRÉ-HISTÓRIA E SUA DIVISÃO EM PERÍODOS Para a historiografia tradicional, há uma divisão entre Pré-História e História. A Pré-História inicia-se com o surgimento do homem, estendendo-se até o aparecimento da escrita, por volta de 4000 a.C., quando se iniciaria a História propriamente dita. Essa divisão é criticada pela moderna historiografia e pela antropologia. No entanto, ela é útil, pois facilita a localização dos períodos no tempo. A própria Pré-História é subdividida nos seguintes períodos:
- período da pedra lascada ou Paleolítico (paleo = antiga + lítico = pedra), que vai de 600.000 anos atrás até aproximadamente 10000 a.C. Nesse período, o homem primitivo utilizava-se de lascas de osso ou de pedra para matar animais ou desenterrar raízes; - período da pedra polida ou Neolítico, que se estende desde os fins do Paleolítico até 4000 a.C. aproximadamente. Nesse período, o homem já elaborava mais seus instrumentos, polindo as pedras e paus para transformá-los em armas e utensílios.
PALEOLÍTICO: ANTIGA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA LASCADA No período Paleolítico, o homem era principalmente caçador e coletor: caçava animais para se alimentar e produzir vestimentas com suas peles para se proteger das intempéries; coletava frutos e raízes para complementar sua alimentação. Nesse período, há cerca de 200.000 anos, vários grupos de seres humanos, ou seja, portadores de cultura, já ocupavam grande parte do Velho Mundo. Eram grupos do homem de Neandertal. considerado o primeiro Homo sapiens (homem com inteligência): tinha a abóbada craniana do mesmo tamanho da de um homem atual, posição do corpo ereta, braços levemente maiores que os do homem moderno, fronte pouco desenvolvida e uma saliência óssea entre a testa e as órbitas oculares. Já conhecia o fogo e demonstrava os primeiros sinais de uma linguagem articulada.
No período entre 40 e 18.000 anos atrás, o homem atingiu grande desenvolvimento cultural. Nessa época, o homem de Cro-Magnon, que difere do homem de Neandertal por ser mais alto e possuir a testa mais desenvolvida, já havia surgido e acumulado uma imensa experiência cultural. O homem de Cro-Magnon produzia seus instrumentos com o sílex, uma pedra duríssima cujas lâminas ele utilizava como facas. Ele já pertencia a nossa espécie, isto é, era um Humo sapiens sapiens.
NEOLÍTICO: NOVA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA POLIDA Entre o final do Paleolítico e o início do Neolítico, houve um período que grosseiramente poderíamos chamar de transição: o período Mesolítico.A passagem do Mesolítico para o Neolítico deu-se entre 15 e 10000 a.C. Nessa fase, a Terra começava a adquirir suas características atuais, com o fim da última era glacial. As regiões temperadas foram ficando mais quentes e as regiões mediterrâneas, mais secas. Surgiram florestas nas regiões temperadas da Europa, enquanto ao sul formaram-se áreas secas e desérticas. No norte da África, o processo de ressecamento foi mais intenso, mas permitiu a formação do vale do rio Nilo, que, com seu regime de cheias e vazantes, tornou-se local favorável à sobrevivência. Fenômeno semelhante ocorreu na Mesopotâmia (Tigre e Eufrates), Índia (Indo) e China (Amarelo). Estavam criadas as condições que geraram a grande revolução da Pré-História: a Revolução Agrícola ou Neolítica.O homem foi abandonando a vida de caçador e coletor e começou a cultivar cereais e a domesticar animais. As primeiras formas de agricultura se deram pelo cultivo de tubérculos, frutas e hortaliças. A domesticação de animais parece ser resultado do hábito de os caçadores trazerem filhotes de animais selvagens para seus filhos. O pastoreio talvez tenha surgido da domesticação de animais por lavradores, que deles se valiam para alimentação (leite e carne), vestuário (peles) e como força de tração (para puxar objetos pesados ou arar a terra). O desenvolvimento das forças produtivas no Neolítico libertou o homem da absoluta dependência da natureza. Com a expansão da agricultura, saiu em busca de terras férteis, disseminando a Revolução Neolítica (Agrícola).
Bibliografia: Pedro,Geraldo - "História da civilização ocidental" editora FTD.
O fóssil lidera a lista dos dez maiores avanços científicos do ano, que também inclui a descoberta de água na Lua e o uso de folhas de átomos de carbono ultrafinas em aparelhos eletrônicos experimentais. "Ardi", um Ardipithecus ramidus, foi objeto de 15 anos de estudo minucioso por antropólogos. O esqueleto, encontrado na Etiópia, deu início a uma nova etapa na pesquisa da evolução do homem, segundo os cientistas.
Sendo 1,2 milhão de anos mais velho que "Lucy", até então o fóssil de hominídeo mais antigo já encontrado, Ardi está ajudando a derrubar mitos populares sobre a relação direta entre o ser humano e os símios modernos. A análise do crânio, dos dentes, da pélvis, das mãos, dos pés e de outros ossos de "Ardi" mostraram que os símios africanos evoluíram consideravelmente desde o momento em que compartilharam um ancestral comum com os humanos.
"[Ardi] muda a maneira de pensarmos sobre a evolução humana mais antiga", indicou Bruce Alberts, editor da "Science".
A ORIGEM DO HOMEM E A PRE-HISTORIA - COMO O "HOMEM" SE TRANSFORMOU EM HOMEM
Há 70 milhões de anos, começou a idade dos mamíferos. Pequenos animais foram, depois de milhares de anos, abandonando o chão e se adaptando às árvores. Da evolução desses seres, surgiram os primatas e depois os antropóides. Quando parte desses primitivos seres começou a fazer o lento caminho de volta para o chão, o "homem" dava seu primeiro sinal de formação.
A REVOLUÇÃO DE CHARLES DARWIN
Como o homem surgiu na Terra? Qual a origem do planeta em que habitamos? Essas são perguntas que sempre estiveram presentes na mente do homem em todas as épocas. Todos os povos criaram mitos procurando responder a essas indagações. Em 1650, um pensador religioso inglês, baseado nas crenças judaico-cristãs, chegou à
conclusão, sem nenhum critério científico, de que o homem havia sido criado no ano de 4004 a.C.
No século XIX, as descobertas arqueológicas destruíram explicações como essa. E foi nesse mesmo século, rico em pesquisas, que Charles Darwin publicou seu livro A origem das espécies. A partir de anotações feitas em uma viagem de navio pelo mundo (183 1-1836) e de estudos sobre tais anotações, Darwin formulou a teoria da mutação das espécies. Observou que. por meio da mutação, as espécies se adaptam ao meio natural, geram criaturas diferentes de si mesmas e dão origem a novas espécies. Concluiu, então, que algumas espécies se extinguiam dando lugar a outras: esse processo seria o da seleção natural. Mais tarde, Darwin estendeu essa teoria para o surgimento do homem, classificando-o como descendente dos antropóides. A comunidade científica e outros setores da sociedade opuseram-se a essa conclusão, pois não podiam admitir que o homem branco, superior". Descendesse de macacos. Na verdade, sabe-se hoje que o homem é parente do macaco e não seu descendente. As descobertas de Darwin foram muito importantes, mas não definitivas, pois as pesquisas continuam, até hoje lançando sempre novas luzes sobre as origens do homem.
OS NOSSOS ANCESTRAIS
A mais antiga espécie de hominídeo foi o Australopithecus, que surgiu no sul da África há cerca de 3 milhões de anos. Este nosso provável ancestral tinha algumas características semelhantes ao homem moderno e criou o primeiro instrumento. Quando um dos nossos ancestrais passou a andar sobre dois pés (bipedismo), isso o deixou com as mãos livres para fazer e usar objetos. O trabalho com as mãos foi sofisticando a sua capacidade de manipular, estimulando o crescimento do seu cérebro e a sua capacidade intelectual. O fato de o homem fabricar seus instrumentos dotou-o de cultura, diferenciando-o dos animais.
A PRÉ-HISTÓRIA E SUA DIVISÃO EM PERÍODOS Para a historiografia tradicional, há uma divisão entre Pré-História e História. A Pré-História inicia-se com o surgimento do homem, estendendo-se até o aparecimento da escrita, por volta de 4000 a.C., quando se iniciaria a História propriamente dita. Essa divisão é criticada pela moderna historiografia e pela antropologia. No entanto, ela é útil, pois facilita a localização dos períodos no tempo. A própria Pré-História é subdividida nos seguintes períodos:
- período da pedra lascada ou Paleolítico (paleo = antiga + lítico = pedra), que vai de 600.000 anos atrás até aproximadamente 10000 a.C. Nesse período, o homem primitivo utilizava-se de lascas de osso ou de pedra para matar animais ou desenterrar raízes; - período da pedra polida ou Neolítico, que se estende desde os fins do Paleolítico até 4000 a.C. aproximadamente. Nesse período, o homem já elaborava mais seus instrumentos, polindo as pedras e paus para transformá-los em armas e utensílios.
PALEOLÍTICO: ANTIGA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA LASCADA No período Paleolítico, o homem era principalmente caçador e coletor: caçava animais para se alimentar e produzir vestimentas com suas peles para se proteger das intempéries; coletava frutos e raízes para complementar sua alimentação. Nesse período, há cerca de 200.000 anos, vários grupos de seres humanos, ou seja, portadores de cultura, já ocupavam grande parte do Velho Mundo. Eram grupos do homem de Neandertal. considerado o primeiro Homo sapiens (homem com inteligência): tinha a abóbada craniana do mesmo tamanho da de um homem atual, posição do corpo ereta, braços levemente maiores que os do homem moderno, fronte pouco desenvolvida e uma saliência óssea entre a testa e as órbitas oculares. Já conhecia o fogo e demonstrava os primeiros sinais de uma linguagem articulada.
No período entre 40 e 18.000 anos atrás, o homem atingiu grande desenvolvimento cultural. Nessa época, o homem de Cro-Magnon, que difere do homem de Neandertal por ser mais alto e possuir a testa mais desenvolvida, já havia surgido e acumulado uma imensa experiência cultural. O homem de Cro-Magnon produzia seus instrumentos com o sílex, uma pedra duríssima cujas lâminas ele utilizava como facas. Ele já pertencia a nossa espécie, isto é, era um Humo sapiens sapiens.
NEOLÍTICO: NOVA IDADE DA PEDRA OU IDADE DA PEDRA POLIDA Entre o final do Paleolítico e o início do Neolítico, houve um período que grosseiramente poderíamos chamar de transição: o período Mesolítico.A passagem do Mesolítico para o Neolítico deu-se entre 15 e 10000 a.C. Nessa fase, a Terra começava a adquirir suas características atuais, com o fim da última era glacial. As regiões temperadas foram ficando mais quentes e as regiões mediterrâneas, mais secas. Surgiram florestas nas regiões temperadas da Europa, enquanto ao sul formaram-se áreas secas e desérticas. No norte da África, o processo de ressecamento foi mais intenso, mas permitiu a formação do vale do rio Nilo, que, com seu regime de cheias e vazantes, tornou-se local favorável à sobrevivência. Fenômeno semelhante ocorreu na Mesopotâmia (Tigre e Eufrates), Índia (Indo) e China (Amarelo). Estavam criadas as condições que geraram a grande revolução da Pré-História: a Revolução Agrícola ou Neolítica.O homem foi abandonando a vida de caçador e coletor e começou a cultivar cereais e a domesticar animais. As primeiras formas de agricultura se deram pelo cultivo de tubérculos, frutas e hortaliças. A domesticação de animais parece ser resultado do hábito de os caçadores trazerem filhotes de animais selvagens para seus filhos. O pastoreio talvez tenha surgido da domesticação de animais por lavradores, que deles se valiam para alimentação (leite e carne), vestuário (peles) e como força de tração (para puxar objetos pesados ou arar a terra). O desenvolvimento das forças produtivas no Neolítico libertou o homem da absoluta dependência da natureza. Com a expansão da agricultura, saiu em busca de terras férteis, disseminando a Revolução Neolítica (Agrícola).
Bibliografia: Pedro,Geraldo - "História da civilização ocidental" editora FTD.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Unicamp prefere alunos de escolas públicas !
Confira algumas publicações :
http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2006/06/10/alunos-de-escolas-publicas-tem-melhor-desempenho
http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2006/06/10/alunos-de-escolas-publicas-tem-melhor-desempenho
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
DOZE PESSOAS VÊEM O SÊCULO XX - Eric Hobsbawn - Era dos Extremos
O SÉCULO: VISTA AÉREA
Olhar panorâmico
DOZE PESSOAS VÊEM O SÊCULO XX
Isaiah Berlin (filósofo, Grã-Bretanha): "Vivi a maior parte do século XX, devo acrescentar que não sofri provações pessoais. Lembro-o apenas como o século mais terrível da história".
Júlio Caro Baroja (antropólogo, Espanha): "Há uma contradição patente entre a experiência de nossa própria vida - infância, juventude e velhice passadas tranqüilamente e sem maiores aventuras - e os fatos do século XX... os terríveis acontecimentos por que passou a humanidade".
Primo Levi (escritor, Itália): "Nós, que sobrevivemos aos Campos, não somos verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que outros sobreviventes escreveram - inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo. Os que tocaram, e que viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram sem palavras".
René Dumontl (agrônomo, ecologista, França): "Vejo-o apenas como um século de massacres e guerras".
Rita Levi Momalcini (Prêmio Nobel, ciência, Itália): "Apesar de tudo, neste século houve revoluções para melhor [...] o surgimento do Quarto Estado e a emergência da mulher, após séculos de repressão".
William Golding (Prêmio Nobel, escritor, Grã-Bretanha): "Não posso deixar de pensar que este foi o século mais violento da história humana".
Ernst Gombrich (historiador da arte, Grã-Bretanha): "A principal carac-
Página 448
terística do século XX é a terrível multiplicação da população do mundo. É uma catástrofe, uma tragédia. Não sabemos o que fazer a respeito".
Yehudi Menuhin (músico, Grã-Bretanha): "Se eu tivesse de resumir o século XX, diria que despertou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todas as ilusões e ideais".
Severo Ochoa (Prêmio Nobel, ciência, Espanha): "O mais fundamental é o progresso da ciência, que tem sido realmente extraordinário [,.,] Eis o que caracteriza nosso século".
Raymond Firth (antropólogo, Grã-Bretanha): "Tecnologicamente, coloco o desenvolvimento da eletrônica entre os fatos mais significativos do século XX; em termos de idéias, destaco a passagem de uma visão relativamente racional e científica das coisas para outra não racional e menos científica".
Leo Valiani (historiador, Itália): "Nosso século demonstra que a vitória dos ideais de justiça e igualdade é sempre efêmera, mas também que, se conseguimos manter a liberdade, sempre é possível recomeçar [...] Não há por que desesperar, mesmo nas situações mais desesperadas".
Franco Venturini (historiador, Itália): "Os historiadores não têm como responder a essa pergunta. Para mim, o século XX é apenas o esforço sempre renovado de entendê-lo".
(Agosti & Borgese, 1992, pp. 42, 210, 154, 76, 4, 8, 204, 2, 62, 80, 140 e 160)
Olhar panorâmico
DOZE PESSOAS VÊEM O SÊCULO XX
Isaiah Berlin (filósofo, Grã-Bretanha): "Vivi a maior parte do século XX, devo acrescentar que não sofri provações pessoais. Lembro-o apenas como o século mais terrível da história".
Júlio Caro Baroja (antropólogo, Espanha): "Há uma contradição patente entre a experiência de nossa própria vida - infância, juventude e velhice passadas tranqüilamente e sem maiores aventuras - e os fatos do século XX... os terríveis acontecimentos por que passou a humanidade".
Primo Levi (escritor, Itália): "Nós, que sobrevivemos aos Campos, não somos verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que outros sobreviventes escreveram - inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo. Os que tocaram, e que viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram sem palavras".
René Dumontl (agrônomo, ecologista, França): "Vejo-o apenas como um século de massacres e guerras".
Rita Levi Momalcini (Prêmio Nobel, ciência, Itália): "Apesar de tudo, neste século houve revoluções para melhor [...] o surgimento do Quarto Estado e a emergência da mulher, após séculos de repressão".
William Golding (Prêmio Nobel, escritor, Grã-Bretanha): "Não posso deixar de pensar que este foi o século mais violento da história humana".
Ernst Gombrich (historiador da arte, Grã-Bretanha): "A principal carac-
Página 448
terística do século XX é a terrível multiplicação da população do mundo. É uma catástrofe, uma tragédia. Não sabemos o que fazer a respeito".
Yehudi Menuhin (músico, Grã-Bretanha): "Se eu tivesse de resumir o século XX, diria que despertou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todas as ilusões e ideais".
Severo Ochoa (Prêmio Nobel, ciência, Espanha): "O mais fundamental é o progresso da ciência, que tem sido realmente extraordinário [,.,] Eis o que caracteriza nosso século".
Raymond Firth (antropólogo, Grã-Bretanha): "Tecnologicamente, coloco o desenvolvimento da eletrônica entre os fatos mais significativos do século XX; em termos de idéias, destaco a passagem de uma visão relativamente racional e científica das coisas para outra não racional e menos científica".
Leo Valiani (historiador, Itália): "Nosso século demonstra que a vitória dos ideais de justiça e igualdade é sempre efêmera, mas também que, se conseguimos manter a liberdade, sempre é possível recomeçar [...] Não há por que desesperar, mesmo nas situações mais desesperadas".
Franco Venturini (historiador, Itália): "Os historiadores não têm como responder a essa pergunta. Para mim, o século XX é apenas o esforço sempre renovado de entendê-lo".
(Agosti & Borgese, 1992, pp. 42, 210, 154, 76, 4, 8, 204, 2, 62, 80, 140 e 160)
A Cultura da Música eletrônica
Folha de S. Paulo
São Paulo, domingo, 18 de janeiro de 2009
Sem drama
Em trecho de livro inédito, o psicanalista Tales Ab'Saber analisa a cultura da música eletrônica, que dissolve as estruturas dramáticas da vida psíquica e social
TALES AB'SABER
ESPECIAL PARA A FOLHA
Há em Berlim uma casa que nunca fecha. Aquela noite que não termina jamais de fato pode começar a qualquer momento do dia, às 7h da manhã ou ainda às 10h. Lá todos os tempos se estendem, e noite e dia se transformam em outra coisa.
Naquela imensa boate que pretende expandir o seu plano de existência, seu tempo infinito, sobre a vida e a cidade, construída em uma antiga fábrica, uma antiga usina de energia nazista, todo tipo de figura da noite se encontra, em uma festa fantástica alucinada que desejaria não terminar jamais.
À luz da vida tecno, as ideias tradicionais de dia e de noite se revelam mais frágeis, bem mais insólitas do que a vida cotidiana sob o regime da produção nos leva a crer. Para alguns, o mundo do dia se tornará definitivamente vazio e apenas a noite excitada e veloz vai concentrar em si o valor do que é vivo.
Naquela boate, como em muitas outras -essa estrutura de diversão é industrial e global-, tudo se encerra apenas quando o efeito prolongado e sistemático da droga se encerra. Como uma pausa para respirar, às vezes tendo passado muitos dias entre uma jornada de diversão e sua suspensão momentânea. Para muitos, apenas pelo tempo mínimo da reposição das forças até a próxima jornada pela política imaginária da noite. Essa pausa mínima seria, em suma, a própria vida.
E, ainda, mais. Para outros tantos, o próprio efeito da droga sob a pulsação infinita da música eletrônica, experiência programática e enfeitiçada, não deveria se encerrar jamais: estes estariam destinados ao projeto de dissolução na pulsação sem eu da música tecno, seja a dissolução do espírito, em uma infantilização definitiva para os embates materiais da vida, seja a dissolução do corpo, ambos igualmente reais.
O bar Panorama de Berlim, apelidado pelos brasileiros que habitam a noite tecno mundial de Paranoia, representa o espírito de totalização da cultura que a música eletrônica busca ter em nosso tempo. Aberto para sempre, sonho eterno de Dioniso, são dimensões tradicionais do sujeito de uma era histórica, de tempo e de repouso, de lazer e de trabalho, que se fecham com ele, não necessariamente em uma superação para melhor, ideia ela mesma superada pelo transe festivo geral.
Vazio de energia
De fato, após uma noite de vida tecno é forte a experiência radical de vazio que se torna o espírito do dia. Toda a trama da vida se descontinua em uma nova ordem muito contemporânea de depressão, depressão da própria energia libidinal que aparece agora esvaziada, mal sustentando algum investimento no próprio eu. A energia foi imensamente gasta à noite. Foi devastada, tornando o dia vazio de objeto, porém vivo, vivo no vazio, muito bem articulado à busca pelo excedente absoluto de mais tarde, à noite.
Esse dado negativo que toma o dia certamente aponta para o valor esvaziado do que se tornou a vida, do qual se tenta fugir incessantemente, mas, na nova ordem do humano, se procura não pensar. Tal negatividade, que corta as ligações com as coisas do dia da produção na raiz, portaria talvez uma esperança utópica, sempre sinalizada pelos "clubbers", mas de natureza muito vazia, indeterminada, totalmente esotérica, transposta à ação da noite. Quem aspira ao infinito não sabe o que quer, um dia disse Schlegel [1772-1829] a respeito desse tipo de salto direto no sentido, que perde as mediações concretas.
Esta nova ordem da festa, onde a fantasia é o ser, funciona sobre outros padrões que os das antigas e tradicionais festividades humanas. A música eletrônica é a mais forte negação do universo primordial, até ontem, de política dramática própria ao eu da canção. Com ela o mundo pop chegou a sua autorrealização conceitual, espécie de vida pura da técnica, dispensando toda trama imaginária que não seja a sua pureza abstrata, fixada na mínima forma -um pouco ao modo de um retrato de Warhol-, na máxima pulsação para o aqui e o agora do corpo, como utopia indeterminada, ou como mundo realizado em sua música plenamente descarnada. Com ela a paixão pela alucinose consentida da noite busca a sua normalização na vida humana, e sua pacificação à luz do dia.
"Tecnocorpo"
A música eletrônica redefiniu assim um valor da experiência humana, daquilo que é estar diante da música. Seus novos campos do sentido são muito diferentes da experiência histórica da canção e sua reflexividade ainda referida ao eu. Eles são dois: o da estetização generalizada da vida, na expansão da política do imaginário e da moda e seu valor de mercado sobre todos os sujeitos, e o do impulso à ação, à atuação encenada, impulso à luta pela existência, que é o mero estado em que a vida está no mundo dado do capitalismo avançado.
Essa política mais radical do "tecnocorpo" em aqui e agora, longe do espírito que alucina, própria à nova indústria da diversão, onde impera a música eletrônica, coloca problemas complicados. Ela significa o fim da trama imaginária e suas profundidades dramáticas, em que o sujeito do inconsciente era lido em um certo teatro simbólico, a famosa triangularidade edípica, e sua razão narrativa, que põe o eu, o desejo e o outro, o tempo e o espaço em alguma perspectiva.
Neste novo mundo digital e pós-dramático, tudo é reduzido ao presente do fluxo e do prazer constante, autoerotismo social e tecnicamente produzido, talvez turbulento, mas contínuo, em que, em sua versão utópica, o outro é alucinado como mundo amoroso e indistinto, minha própria continuidade.
A técnica do tempo, nos "samplers", nas pistas iluminadas a laser e nas novas drogas sintéticas, encena uma forte experiência do todo sobre o sujeito, a nova tecnocultura, na qual as estruturas dramáticas de uma outra modernidade já estão ausentes. Essa cena, e sua política imaginária, se põe porque, de fato, tais estruturas estão falindo, anêmicas e desaparecendo na própria vida social.
Os sujeitos fragilizados e a crise real -de difícil apreensão, das estruturas de orientação moderna da vida, da política à educação, das nações à forma família- que o digam; ou melhor, que o dancem. Em parte esses espaços foram ocupados pela festa tecno sem fim, que busca a generalização, e a alucinose generalizada, do valor do corpo, o império fetichista da moda, a apresentação em ato na noite da imagem produzida do dia, para sobreviver ao sistema catastrófico do mercado.
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TALES A.M. AB'SABER , psicanalista, é autor de "O Sonhar Restaurado" (Ed. 34). Este texto é um trecho do ensaio inédito "A Música do Tempo Infinito".
São Paulo, domingo, 18 de janeiro de 2009
Sem drama
Em trecho de livro inédito, o psicanalista Tales Ab'Saber analisa a cultura da música eletrônica, que dissolve as estruturas dramáticas da vida psíquica e social
TALES AB'SABER
ESPECIAL PARA A FOLHA
Há em Berlim uma casa que nunca fecha. Aquela noite que não termina jamais de fato pode começar a qualquer momento do dia, às 7h da manhã ou ainda às 10h. Lá todos os tempos se estendem, e noite e dia se transformam em outra coisa.
Naquela imensa boate que pretende expandir o seu plano de existência, seu tempo infinito, sobre a vida e a cidade, construída em uma antiga fábrica, uma antiga usina de energia nazista, todo tipo de figura da noite se encontra, em uma festa fantástica alucinada que desejaria não terminar jamais.
À luz da vida tecno, as ideias tradicionais de dia e de noite se revelam mais frágeis, bem mais insólitas do que a vida cotidiana sob o regime da produção nos leva a crer. Para alguns, o mundo do dia se tornará definitivamente vazio e apenas a noite excitada e veloz vai concentrar em si o valor do que é vivo.
Naquela boate, como em muitas outras -essa estrutura de diversão é industrial e global-, tudo se encerra apenas quando o efeito prolongado e sistemático da droga se encerra. Como uma pausa para respirar, às vezes tendo passado muitos dias entre uma jornada de diversão e sua suspensão momentânea. Para muitos, apenas pelo tempo mínimo da reposição das forças até a próxima jornada pela política imaginária da noite. Essa pausa mínima seria, em suma, a própria vida.
E, ainda, mais. Para outros tantos, o próprio efeito da droga sob a pulsação infinita da música eletrônica, experiência programática e enfeitiçada, não deveria se encerrar jamais: estes estariam destinados ao projeto de dissolução na pulsação sem eu da música tecno, seja a dissolução do espírito, em uma infantilização definitiva para os embates materiais da vida, seja a dissolução do corpo, ambos igualmente reais.
O bar Panorama de Berlim, apelidado pelos brasileiros que habitam a noite tecno mundial de Paranoia, representa o espírito de totalização da cultura que a música eletrônica busca ter em nosso tempo. Aberto para sempre, sonho eterno de Dioniso, são dimensões tradicionais do sujeito de uma era histórica, de tempo e de repouso, de lazer e de trabalho, que se fecham com ele, não necessariamente em uma superação para melhor, ideia ela mesma superada pelo transe festivo geral.
Vazio de energia
De fato, após uma noite de vida tecno é forte a experiência radical de vazio que se torna o espírito do dia. Toda a trama da vida se descontinua em uma nova ordem muito contemporânea de depressão, depressão da própria energia libidinal que aparece agora esvaziada, mal sustentando algum investimento no próprio eu. A energia foi imensamente gasta à noite. Foi devastada, tornando o dia vazio de objeto, porém vivo, vivo no vazio, muito bem articulado à busca pelo excedente absoluto de mais tarde, à noite.
Esse dado negativo que toma o dia certamente aponta para o valor esvaziado do que se tornou a vida, do qual se tenta fugir incessantemente, mas, na nova ordem do humano, se procura não pensar. Tal negatividade, que corta as ligações com as coisas do dia da produção na raiz, portaria talvez uma esperança utópica, sempre sinalizada pelos "clubbers", mas de natureza muito vazia, indeterminada, totalmente esotérica, transposta à ação da noite. Quem aspira ao infinito não sabe o que quer, um dia disse Schlegel [1772-1829] a respeito desse tipo de salto direto no sentido, que perde as mediações concretas.
Esta nova ordem da festa, onde a fantasia é o ser, funciona sobre outros padrões que os das antigas e tradicionais festividades humanas. A música eletrônica é a mais forte negação do universo primordial, até ontem, de política dramática própria ao eu da canção. Com ela o mundo pop chegou a sua autorrealização conceitual, espécie de vida pura da técnica, dispensando toda trama imaginária que não seja a sua pureza abstrata, fixada na mínima forma -um pouco ao modo de um retrato de Warhol-, na máxima pulsação para o aqui e o agora do corpo, como utopia indeterminada, ou como mundo realizado em sua música plenamente descarnada. Com ela a paixão pela alucinose consentida da noite busca a sua normalização na vida humana, e sua pacificação à luz do dia.
"Tecnocorpo"
A música eletrônica redefiniu assim um valor da experiência humana, daquilo que é estar diante da música. Seus novos campos do sentido são muito diferentes da experiência histórica da canção e sua reflexividade ainda referida ao eu. Eles são dois: o da estetização generalizada da vida, na expansão da política do imaginário e da moda e seu valor de mercado sobre todos os sujeitos, e o do impulso à ação, à atuação encenada, impulso à luta pela existência, que é o mero estado em que a vida está no mundo dado do capitalismo avançado.
Essa política mais radical do "tecnocorpo" em aqui e agora, longe do espírito que alucina, própria à nova indústria da diversão, onde impera a música eletrônica, coloca problemas complicados. Ela significa o fim da trama imaginária e suas profundidades dramáticas, em que o sujeito do inconsciente era lido em um certo teatro simbólico, a famosa triangularidade edípica, e sua razão narrativa, que põe o eu, o desejo e o outro, o tempo e o espaço em alguma perspectiva.
Neste novo mundo digital e pós-dramático, tudo é reduzido ao presente do fluxo e do prazer constante, autoerotismo social e tecnicamente produzido, talvez turbulento, mas contínuo, em que, em sua versão utópica, o outro é alucinado como mundo amoroso e indistinto, minha própria continuidade.
A técnica do tempo, nos "samplers", nas pistas iluminadas a laser e nas novas drogas sintéticas, encena uma forte experiência do todo sobre o sujeito, a nova tecnocultura, na qual as estruturas dramáticas de uma outra modernidade já estão ausentes. Essa cena, e sua política imaginária, se põe porque, de fato, tais estruturas estão falindo, anêmicas e desaparecendo na própria vida social.
Os sujeitos fragilizados e a crise real -de difícil apreensão, das estruturas de orientação moderna da vida, da política à educação, das nações à forma família- que o digam; ou melhor, que o dancem. Em parte esses espaços foram ocupados pela festa tecno sem fim, que busca a generalização, e a alucinose generalizada, do valor do corpo, o império fetichista da moda, a apresentação em ato na noite da imagem produzida do dia, para sobreviver ao sistema catastrófico do mercado.
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TALES A.M. AB'SABER , psicanalista, é autor de "O Sonhar Restaurado" (Ed. 34). Este texto é um trecho do ensaio inédito "A Música do Tempo Infinito".
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